A chegada dos anos 2000 mostram como a TV no Brasil mudara em cinquenta anos. Do rádio com imagens para o principal veículo de mídia, a TV crescera e tornara-se importante na vida dos brasileiros. Agora era pela TV que se tinha conhecimento das mudanças no país e no mundo, e com a liberdade de imprensa que surgira com a volta da democracia, podíamos ter uma idéia do que acontecia em vários setores da sociedade, que durante os anos de ditadura, eram indisponíveis para a informação.
Mas a TV ganhara nos anos 1990 um competidor a altura, o computador. Transformado em artigo viável em qualquer residência desde 1983 quando Steve Jobs apresentou o primeiro computador portátil da Macintosh, o computador tornava-se comum nos lares e empresas do Brasil. Mesmo assim, a TV não perdeu sua importância, ao contrário, colocou o computador como aliado sabendo que sua presença não faria frente ao que ela representava para os brasileiros.
A TV tinha o que comemorar e o que lamentar com os seus cinquenta anos.
Ela crescera, isso era certo, mas também havia muita descaracterização do seu papel na sociedade. Agora basicamente ela existia apenas em rede, praticamente. E no Brasil haviam redes demais. Para atender interesses políticos, emissoras foram concedidas em várias cidades tendo a necessidade de filiar-se à redes. Com isso, o Brasil gerou quantidade de redes de televisão, mas não primou pela qualidade das mesmas. Estava longe já o tempo das emissoras montadas com equipamentos velhos, comprados de sucatas dos americanos. Mas a quantidade gerou baixa qualidade na programação apresentada.
A empresa que ficara com a concessão da Rede Manchete, a RedeTV!, cujo o próprio nome soa estranho, não tinha sequer condição de gerenciar um canal local em uma grande cidade, quanto mais uma rede composta de cinco canais nas principais cidades do país. Desde o inicio sua programação mostrou com clareza que não havia recursos para investir e funcionava quase como uma TV doméstica. Esse fato acabou sendo denunciado na tela, na própria emissora pelo apresentador Clodovil que afirmou só receber duzentos reais de verba para realizar seu programa. Outros profissionais da rede, como os apresentadores do programa Pânico na TV também denunciaram as péssimas condições de trabalho que existem na emissora. Para conseguir algum recurso, a empresa firma contratos alugando seus horários para programas evangélicos, televendas ou repetindo cansativas propagandas de centrais de relacionamento por telefone.
A CNT também não funciona de forma muito diferente. Apesar de operar em pouquíssimas cidades nas faixas populares de VHF, a rede também não tem nada importante para apresentar em sua programação.
Ao contrário da Rede TV! e CNT, a Rede Record, além de mostrar que veio para brigar pela audiência, também investe e muito não apenas em equipamentos, mas também em pessoal humano e instalações. Com o objetivo de brigar em pé de igualdade com a Rede Globo pela preferência em dramaturgia, a emissora compra no Rio de Janeiro os estúdios da Renato Aragão Produções no bairro de Vargem Grande. Os estúdios são menores que o Projac contando com 600 mil metros quadrados, mas a Rede Record equipa-o com aparelhagem de última geração e inicia a produção de suas telenovelas no mesmo, usando a mesma mentalidade que a Rede Manchete usara nos anos 1980, ou seja, produzi-las na mesma cidade da Globo para que os atores possam escolher trocar de emissora sem a necessidade de transferir toda a sua vida para outra cidade, como alguns tem que fazer caso queiram trabalhar no SBT ou na Band.
A primeira telenovela produzida pela Rede Record em seus novos estúdios, foi também o primeiro sucesso da emissora em dramaturgia, provando que o investimento havia dado certo. Foi Prova de Amor novela de Tiago Santiago com direção de Alexandre Avancini e contando no elenco com Lavínia Vlasak, Vanessa Gerbelli, Patrícia França, Bianca Rinaldi, Marcelo Serrado e Leonardo Vieira, todos contratados da Rede Globo, onde haviam começado suas carreiras.
Mas a Rede Record não ficou apenas na produção de tele dramaturgia como seu trunfo para competir com as concorrentes. Investiu também em jornalismo com a contratação de vários profissionais como Paulo Henrique Amorim, Tino Marcos, Ana Paula Padrão, Lorena Calábria, Celso Freitas e vários outros também contratados da Rede Globo.
Na busca pela chegada a uma liderança, e na pressa de ajustar-se ao crescimento das suas concorrentes como a Globo que detinha um canal de noticias em sinal por assinatura, a Globo News, primeira TV exclusivamente de jornalismo do Brasil e a Band que já havia inaugurado a Band News oferecendo, também em sinal por assinatura, uma alternativa ao estilo da Globo News, mas também especializada em jornalismo, a Rede Record inaugura em 27 de setembro de 2007 a Record News, que também transmite em sinal aberto, com uma programação noticiosa diferente das duas concorrentes nacionais, mas que não consegue atrair o público, não alcançando audiência suficiente para justificar o investimento, quer pelos canais abertos em São Paulo e Rio de Janeiro, quer por assinatura pela TVA, Sky, Via Embratel e Oi TV.
Desde a década de 70, os japoneses vem realizando experiências para criar uma televisão de alta definição. Isso na realidade significa conseguir uma imagem sem interferências externas, capaz de chegar aos aparelhos receptores de forma impecável, ou seja, límpida. O primeiro passo teria que ser aperfeiçoar os aparelhos para receber essa imagem. Os aparelhos de televisão até aquela data, usavam um sistema de formação de imagens através de linhas horizontais, composta de pontos, enviados por um catodo [14], o que não poderia gerar a alta definição desejada. A solução encontrada foi a composição da imagem em uma tela utilizando o Cristal líquido[15]. Nos anos 70 chegaram a fabricar aparelhos receptores utilizando essa técnica, com transmissões convencionais de televisão. Porém, essas experiências só surtiram efeito satisfatório com o desenvolvimento da informática nos anos 90, modificando também a forma de transmissão dos sinais, ao invés de se transmitir imagem e som pelas ondas eletromagnéticas, transmitiria-se arquivos de dados que decodificados nos aparelhos receptores, formariam imagens e sons perfeitos, em alta definição. Logo duas tendências para esse tipo de transmissão surgiram, a americana e a japonesa; e mais tarde surgiria também a europeia. O sistema japonês saiu na frente, implantado primeiramente em países orientais, no inicio dos anos noventa, já o sistema americano começou a ser utilizado no Canadá e Estados Unidos em 1995. No Brasil em 2003 o presidente Lula criou um consórcio com o objetivo de implantar a televisão digital no Brasil, definindo o sistema japonês como o escolhido oficialmente. Em 2 de dezembro de 2007, na cidade de São Paulo o sistema iniciou efetivamente sua implantação através dos canais: 13 (TV Bandeirantes), 9 (Rede TV!), 7 (TV Record), 5 (TV Globo) e 4 (SBT). Esses canais foram o ponto de partida, em 2008 a TV Digital já iria entrar em funcionamento também através de canais no Rio de Janeiro. Belo Horizonte, Brasília; no primeiro semestre e nas cidades de Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza; no segundo semestre. Em 2009 outras cidades começariam a serem servidas pelo sistema digital. O plano inicial do governo é de que em 2016, todas as emissoras do país estejam transmitindo o sinal digital de forma que o sinal analógico, ou seja o sinal de transmissão convencional, será desligado. Mas, o alto preço dos equipamentos para implantação e dos aparelhos para a recepção, podem fazer com que esse prazo seja estendido.
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